Você já sentiu que, ao discutir uma situação difícil, tudo fica ainda mais complicado? Que uma decisão ou um conflito parece travar, sem saída aparente? A verdade é que, muitas vezes, o problema não está na questão em si, mas na forma como olhamos para ela. E a chave para sair desse ciclo? Ampliar a sua perspectiva.
O julgamento limita sua capacidade de resolver problemas
Julgar limita, concordar amplia. Isso significa que quando enfrentamos um conflito, nossa tendência natural é julgar imediatamente: “Ele foi injusto”, “Ela não se importa comigo”, “Sempre faz a mesma coisa”. Essa visão reducionista, inata ao funcionamento do cérebro de querer economizar energia, classifica tudo como bom ou mau, certo ou errado, limitando nossa compreensão. Ela é como uma boia que nos salva de afogamento, mas impede que mergulhemos na profundidade da questão.
Ao manter o olhar apenas na superfície, acabamos lidando com o sintoma e não com a causa real. Assim, a solução rápida, muitas vezes, é tentar controlar ou convencer o outro a mudar. Mas, sabe o que acontece? Geralmente, o conflito permanece ou volta mais forte. E o ciclo se repete. Gosto de dizer que o que é excluído volta para morder nossa bunda. Como julgar é excluir, o que não é incluído vai voltar até que seja.
A grande mudança vem ao ampliar o olhar
Quando ampliamos nossa perspectiva, saímos da posição de juiz e entramos na de observador mais atento. Começamos a perceber que existem múltiplas dimensões em cada problema: emoções, crenças, necessidades, modelos mentais, contextos. Cada pessoa, cada situação, traz uma história que influencia suas ações. O movimento interno é de concordância: é simplesmente concordar que o outro pode ser como é.
Por exemplo: uma pessoa que explode de raiva ao receber uma crítica pode, na verdade, estar tentando proteger uma vulnerabilidade escondida, como medo de rejeição ou insegurança. Um parceiro que esquece datas especiais pode estar querendo ser visto e valorizado de uma forma que ainda não sabe expressar. Uma organização que resiste a mudanças pode estar protegendo um medo de perder relevância ou estabilidade. Tudo isso só é percebido quando exercitamos uma postura de concordância sem julgamento.
Como ampliar sua perspectiva na prática?
- Exercite a concordância: diferentemente de obedecer, concordar é dar um espaço interno para que o outro seja quem ele é, sem querer corrigir ou desejar que seja de outra forma.
- Pare e questione: ao invés de rotular, pergunte-se: “O que mais pode estar acontecendo aqui?”
- Veja além do seu ponto de vista: tente se colocar no lugar do outro e entender suas motivações, medos e desejos.
- Procure entender o sistema: lembre-se que existe uma rede de conexões, valores e regras que influenciam cada comportamento.
- Esteja aberto à complexidade: reconheça que os problemas raramente têm uma única causa ou uma única solução.
Por que isso faz toda a diferença?
Porque, ao ampliar seu olhar, você deixa de querer controlar tudo e passa a participar do sistema de forma mais consciente. Você percebe que o conflito não é uma batalha entre “bons” e “maus”, mas uma oportunidade de entender as diferentes versões da mesma história. Sobretudo, você se inclui no que está vivendo ao invés de analisar como quem olha para uma máquina ou um edifício de fora imune ao comportamento de resposta. Se incluir é perceber que a forma de olhar influencia o que está sendo olhado. É ser co-responsável nas relações.
Quer transformar seus conflitos em oportunidades de crescimento?
A chave está em ampliar sua perspectiva ao concordar — abrir o horizonte para um entendimento mais profundo, compassivo e estratégico. Dessa forma, suas ações se tornam mais assertivas, suas relações mais genuínas e seus resultados, mais duradouros.
E lembre-se: quanto mais você ampliar sua visão, mais possibilidades de soluções criativas e eficazes surgirão no seu caminho.



